Por Cleiton Gomes
O livro de Jó aborda o problema do sofrimento humano e da justiça divina. Jó, um homem íntegro e reto, é submetido a grandes provações, perdendo seus bens, filhos e saúde. Ele questiona a razão de seu sofrimento, enquanto seus amigos tentam explicá-lo com base em uma teologia retributiva, que associa o sofrimento diretamente ao pecado. No entanto, o ETERNO responde a Jó a partir de um redemoinho (Jó 38:1), não com explicações diretas, mas com uma série de perguntas retóricas que destacam Sua sabedoria e poder na criação e no governo do universo.
Nessas perguntas, o ETERNO descreve um animal forte e herbívoro, que vive em harmonia com a natureza, mas em ambientes inóspitos e selvagens (pântanos), distante da influência humana. Muitos associam o Behemoth ao hipopótamo, um animal grande e robusto que habita regiões aquáticas. No entanto, a menção de que sua cauda "balança como um cedro" (Jó 40:17) desafia essa identificação. O cedro era uma árvore conhecida por sua altura, força e durabilidade, frequentemente associada à majestade e à estabilidade. Comparar a cauda do Behemoth ao cedro sugere uma imagem de grandeza e firmeza, algo que contrasta com a cauda pequena e fina do hipopótamo. Essa discrepância levou estudiosos a considerarem a descrição do Behemoth como uma visão exagerada de um animal real, uma representação simbólica ou, talvez, uma criatura já extinta.
Na descrição, o ETERNO mostra a Jó que a criatura foi trazida à existência por meio de Seu poder e que, embora fosse poderosa e, em alguns aspectos, misteriosa para os seres humanos, ela permanecia submissa a Ele. Esse contraste serviu para demonstrar que, mesmo diante do que era 'desconhecido' para Jó (que questionava os planos divinos em meio ao seu sofrimento), todas as coisas estavam sob o controle absoluto do ETERNO. Nisso, percebemos que o ETERNO convida Jó a confiar não em sua própria compreensão, mas na sabedoria e na bondade do Criador, mesmo quando Seus caminhos parecem obscuros. Essa é a essência da mensagem do livro de Jó: reconhecer nossa pequenez e descansar na grandeza dEle."
Em suma, o livro de Jó e a lição sobre a criatura, nos convida a confiar no ETERNO mesmo diante daquilo que parece obscuro aos nossos olhos. Ele reforça a ideia de que o universo é repleto de maravilhas que ultrapassam a compreensão humana. Para Jó, essa criatura serviu como um convite à humildade e à confiança, lembrando-nos de que, mesmo diante do sofrimento e das incertezas, o ETERNO mantém o controle de todas as coisas. Assim, aprendemos que a verdadeira sabedoria não está em entender todos os mistérios da vida, mas em confiar na sabedoria e na bondade do Criador, que governa o universo com perfeição e propósito.
Seja iluminado!!!
[1] Sobre a etimologia da palavra: O termo Behemoth tem origem no hebraico bíblico, onde aparece como בְּהֵמוֹת (pronuncia-se behemot). A palavra é um plural intensivo de בְּהֵמָה (behemah), que significa "animal" ou "fera" em hebraico. A raiz da palavra בְּהֵמָה (behemah) está associada ao conceito de "ser vivo" ou "criatura", muitas vezes referindo-se a animais domésticos. No entanto, ao ser transformada em בְּהֵמוֹת (behemot), a palavra ganha um sentido amplificado, indicando algo poderoso e impressionante.
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