Alguns críticos alegam que os escritos dos Apóstolos contêm erros e não são confiáveis. Um exemplo comum citado é uma suposta contradição no livro de Atos, no relato da Teshuvá ("conversão") de Paulo. Em um versículo, é dito que os acompanhantes de Paulo não ouviram a voz, enquanto em outro, é afirmado que eles ouviram a voz.
A explicação para essa diferença é simples, e está ligada ao uso dos casos gramaticais no grego, o que é importante para compreender o contexto correto. Em grego, as palavras podem mudar dependendo de como são usadas na frase. Por exemplo, os casos acusativo e genitivo são formas diferentes de declinar uma palavra (como o uso do "a", "o", "de", etc., em português).
Genitivo (usado em Atos 9:7) indica que a palavra "voz" se refere ao som em si, mas não à compreensão do que estava sendo dito. Ou seja, eles ouviram um som, mas não entenderam o que estava sendo falado. Isso é semelhante a quando ouvimos um barulho distante, mas não conseguimos identificar sua origem.
Acusativo (usado em Atos 22:9) descreve o som de forma mais direta, como se eles estivessem ouvindo a "voz", mas sem conseguir compreender o que era dito. É como quando ouvimos uma voz, mas não conseguimos entender as palavras claramente.
Portanto, os textos não se contradizem. O que ocorre é que, em um versículo, os acompanhantes de Paulo ouviram um som, mas não entenderam, e no outro, é enfatizado que eles ouviram a voz, mas sem saber o que estava sendo dito.
As traduções da Bíblia para o português nem sempre conseguem capturar com exatidão esses detalhes do grego, o que pode gerar a impressão de contradição. No entanto, quando se compreende as diferenças entre os casos acusativo e genitivo, fica claro que o que Lucas escreveu não apresenta erro.
Seja iluminado!!!
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