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Jefté não matou a sua filha

Por: Cleiton Gomes 


A história de Jefté e seu voto, registrada em Juízes 11:29-40, tem sido um tema de intensos debates. No relato, Jefté promete oferecer como holocausto o primeiro ser que sair ao seu encontro, caso retorne vitorioso da batalha contra os amonitas. Sua filha, a única descendente dele, foi a primeira a saudá-lo. O termo "holocausto" (olah, עולה) é geralmente entendido como uma oferta queimada, o que leva muitos a concluir que isso indicaria um sacrifício humano. No entanto, uma análise cuidadosa do contexto e das práticas culturais da época mostra que Jefté não matou sua filha, mas a consagrou ao serviço sagrado, mantendo sua virgindade para sempre.

Primeiro, é importante destacar que a Torá condena explicitamente o sacrifício humano, tratando-o como algo abominável (Levítico 18:21, 20:1-5; Deuteronômio 12:31). Sabemos que Jefté era muito temente (Juízes 11:9-11, 21-23, 27-30) e que o Espírito do ETERNO estava sobre ele quando fez seu voto. Isso torna inconsistente a ideia de que Jefté teria sido levado a cometer um ato tão abominável. 

No holocausto, o animal (e não o ser humano, Levítico 1:3,10) era completamente queimado, e nenhuma parte dele era consumida como alimento. No caso de Jefté, ele mesmo não poderia oferecer o holocausto, pois não era sacerdote. Além disso, é seguro afirmar que, mesmo que a filha fosse levada ao Tabernáculo, os sacerdotes jamais teriam realizado um holocausto com o corpo dela. Também, não lemos nada sobre a morte da menina, apenas sobre sua virgindade. Isso reforça a ideia de que o sacrifício de Jefté não envolveu derramamento de sangue, mas sim uma dedicação de sua filha ao serviço divino.

A interpretação mais coerente, portanto, é que Jefté cumpriu seu voto consagrando sua filha ao serviço sagrado. Isso reflete obediência e respeito ao ETERNO, sem envolver um sacrifício humano literal, que seria contra as próprias leis da Torá. A narrativa não descreve um ato de crueldade, mas sim uma demonstração de fidelidade aos princípios divinos.

Ainda que o período dos Juízes tenha sido uma época de grandes falhas espirituais para Israel, seria difícil acreditar que os amigos e vizinhos de Jefté teriam permitido que ele sacrificasse sua filha. Por exemplo, quando Saul fez um voto insensato para matar seu filho Jônatas, seus soldados impediram-no (1 Samuel 14:43-45). Isso mostra que, mesmo em uma época de falhas espirituais, o povo de Israel não estava disposto a aceitar sacrifícios humanos.

É importante lembrar que, naquele contexto, havia funções específicas para as mulheres no tabernáculo (Êxodo 38:8; 1 Samuel 2:22), e uma mulher de boa reputação desejava, como todos, ter filhos. O sacrifício de uma vida de virgindade perpétua, portanto, era um sacrifício significativo. Dedicada ao serviço divino, ela não poderia ter filhos, o que impediria a continuidade da linhagem de seu pai. Esse fato era, sem dúvida, uma grande perda para ela e para sua família, o que justifica o lamento das amigas de Jefté, que passaram dois meses lamentando sua condição (Juízes 11:38).

A reação de Jefté ao ver sua filha, como relatado em Juízes 11:35-36, não reflete dor pela morte dela, mas pela perda da possibilidade de continuidade de sua linhagem, uma vez que ela teria de permanecer virgem para sempre. O lamento é, portanto, pela virgindade e não pela morte.

Em resumo, se foi o ETERNO quem impulsionou Jefté a fazer aquele voto, também foi Ele quem colocou sua filha em seu caminho como a primeira a saudar Jefté, o que deu início e fim ao voto. Se essa visão for correta, então Jefté agiu com honra, sendo reconhecido como um homem de boa reputação, como aparece em Hebreus 11:32. Se ele tivesse sacrificado sua filha, como os idólatras faziam, seu nome nunca teria sido citado naquela lista de heróis da fé.



Seja iluminado!!! 









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2 Comentários

  1. Respostas
    1. Eu acredito que essa seja a visão mais coerente! 😉 ❤️. Agradeço por sua visita aqui, volte sempre.

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