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Pêssach: Os ossos não poderiam ser quebrados? (parte 7)

Por: Cleiton Gomes 


No estudo anterior foi demonstrado que o Messias não destruiu a festa de Pêssach. Importante salientar que quando é dito "todas as vezes que vocês se reunirem, vocês devem fazer isso em memória de mim", isto não deve ser entendido como querem alguns. Alguns dizem que o Messias estava criando uma outra festa distinta do Pêssach e que deveria ser feita em datas aleatórias dali em diante, o que é um grande equívoco, pois todo o cenário ali mostra que Yeshua estava realizando um jantar tal como era realizado na festa de Pêssach. Cada  alimento ali presente eram os mesmos do jantar de Pêssach. Portanto, o memorial em referência a morte e ressurreição dele, deve ser realizada durante todas as vezes que nos reunimos para celebrar o Pêssach, ou seja, uma vez a cada ano, no dia 14 de Nissan, e não em datas aleatórias. No calendário gregoriano de 2021, a festa de Pêssach será realizada a partir do dia 27 do mês de março (27/04/2021).


O Messias apenas adicionou um segundo significado à festa de Pêssach, no qual devemos lembrar da bondade do ETERNO, que pode nos libertar do cativeiro terreno e também do cativeiro espiritual. Disto resulta que a ceia tal como realizam a maioria dos cristãos, é uma reunião estranha às lições de Yeshua, já que fazem em datas aleatórias, alegam que é uma outra festa distinta do Pêssach, bem como não fazem um grande banquete e sim algo menor que uma merenda. O próprio apóstolo Paulo participava da festa de Pêssach mesmo depois da morte e ressurreição de Yeshua (1ª Coríntios 5: 6-9; 11: 18-34; Atos 20: 6). No cenário de Coríntios 11, por exemplo, as pessoas estavam bebendo vinho em abundância e comendo em abundância também, veja:


"De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a ceia do Senhor; porque quando comeis, cada um toma antes de outrem a sua própria ceia; e assim um fica com fome e outro se embriaga. Não tendes porventura casas onde comer e beber? Ou desprezais a igreja de Elohim, e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto não vos louvo." (1ª Coríntios 11:20-22). 


De fato, durante as festas bíblicas é permitido beber vinho, porém não é permitido se embriagar. Também temos que lidar com a questão das crianças, que só podem consumir em pequena quantidade. Já os adultos têm permissão para beber um pouco a mais, mas sem perder a sobriedade é claro. Veja o texto da Torá, onde o ETERNO autoriza a bebida:


"E aquele dinheiro [o dinheiro do dízimo que foi vendido] darás por tudo o que desejares, por bois, por ovelhas, por vinho, por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; comerás ali perante Adonai teu Elohim, e te regozijarás, tu e a tua família." (Deuteronômio 14:26). 


O texto acima fala sobre o maasser sheni (o segundo dízimo), que era um dízimo destinado ao próprio dizimista. Não era destinado aos sacerdotes, não era destinado aos levitas, não era para realizar ajudas sociais e sim era o dízimo do próprio dizimista. Tornamos a repetir que a festa de Pêssach era realizada no Templo de Jerusalém e, quem morava longe de lá, deveria trazer seu alimento para aquele local. Quando a viagem fosse longa, ele tinha permissão para vender o seu dízimo e pegar o dinheiro e com o dinheiro ele poderia comprar o que quisesse (tudo que fosse permitido na festa é claro) para fazer a celebração com a sua família. Assim sendo, quando vemos Paulo criticando a má conduta dos crentes de Corinto, não era porque eles comiam muito ou porque beberam bebida forte, e sim porque eles se sentiam mais especiais que os outros a ponto de comer toda a comida antes mesmo que o pessoal estivesse todo reunido. Isso declara que eles não estavam em perfeita união, bem como mostra que eles estavam celebrando a festa de maneira bagunçada. Paulo critica essa falta de união entre eles e também critica o fato de eles se embriagarem.


Alguém ainda poderia perguntar: o vinho forte é proibido ou não, já que é proibido comidas levedadas em Pêssach? Bem, a proibição em si, de comer alimentos levedados, recai apenas sobre os alimentos sólidos. A levedura ou fermentação é quando a massa cresce; numa reação onde o tamanho da massa aumenta. Porém, esse processo não ocorre no vinho, daí, conclui-se que não é proibido usar um vinho que tenha uma quantidade elevada de teor alcoólico. Por menor que seja a quantidade do vinho, por mais recente que ele tenha sido produzido, ainda assim ele tem álcool, e quanto maior o tempo que ele passar armazenado dentro de algum recipiente, a bebida vai ficando cada vez mais forte, naturalmente. 


E ainda: de tudo que já expomos nesta série, há coisas que se tornam totalmente compatíveis com a vida de Yeshua, mostrando que ele é simbolicamente o cordeiro de Pêssach. Por exemplo, a Escritura diz que:


  1. O animal deveria ser macho e poderia ser um cordeiro ou cabrito (Êxodo 12: 5);


  1. Deveria ser morto no dia 14 de Nissan, ao final da tarde (Êxodo 12: 6);


  1. Ossos do corpo não poderiam ser quebrados (Êxodo 12: 46);


  1. O animal não poderia ter defeito algum (Êxodo 12: 5);


  1. O sangue do animal colocado na entrada da casa era símbolo de proteção para todos aqueles que tivessem a marca do sangue do animal (Êxodo 12: 22-23).


Todos esses elementos apontam simbolicamente para a vida do Messias. Por exemplo, Yeshua foi chamado simbolicamente de:


  1. Cordeiro sem defeito algum (João 1: 29; 1ª Pedro 2: 21-23);


  1. Os ossos principais de seu corpo não foram quebrados (João 19: 33, 36; Salmos 34: 20);


  1. Ele foi morto no dia 14 de Nissan, durante o final da tarde, antes do jantar de Pêssach ser celebrado, razão pela qual a Escritura diz que ele foi morto na véspera do grande dia de sábado. O sábado em questão é a festa bíblica de Pêssach e matsot (Marcos 15: 33,42; Lucas 23: 54), pois como já explicamos anteriormente, no primeiro dia (dia 15) e no dia 21 é proibido o trabalho secular, sendo considerado um dia de descanso;


  1. E o sangue do Messias também serve de proteção para todos aqueles que se unem a ele. Sobre isso, basta ler as declarações que os apóstolos fizeram durante aquilo que puderam registrar em seus escritos. 


Sobre a questão de "quebrar os ossos" há uma discussão entre os rabinos, no sentido de que tipo de ossos não poderiam ser quebrados. Alguns diziam que existia ossos que poderiam ser quebrados se não tivesse muita carne no local, já outros diziam que os ossos não poderiam ser quebrados tendo carne ou não. Sobre isso lemos no Talmud:


os amora'im [intérpretes/ estudiosos] discutiam sobre o seguinte assunto: No caso de um membro sobre o qual não há uma massa de azeitona de carne neste local em que se quebra o osso, e há uma massa de azeitona de carne em um lugar diferente, violou a proibição de quebrar um osso? Rabino Yoḥanan disse: Está sujeito à proibição de quebrar um osso. Rabino Shimon ben Lakish disse: Não está sujeito à proibição de quebrar um osso.” (Pesachim 84b). 


Rabi Shlomo Ytizhaki ("Rashi"), foi um dos mais aclamados exegetas do povo judeu e ao analisar esse debate entre os rabinos do Talmud, aparentemente ele se posiciona ao lado daqueles que diziam que haviam ossos que poderiam ser quebrados, desde que o osso não tivesse nada do que se aproveitasse para comer:


“... qualquer osso que seja adequado para comer (com a finalidade de executar a ordem de comer o cordeiro pascal) como, por exemplo, aquele no qual há carne do tamanho de um azeitona - a ela existe (aplica-se) a proibição relativa à quebra de um osso, mas se sobre ela não houver polpa do tamanho de uma azeitona, não se aplica a ela a proibição de quebrar um osso (cf. Pesachim 84b).” (Rashi, sobre Êxodo 12: 46). 


Esse comentário do Rashi também pode ser amparado no próprio texto do Talmud: "aquele que queima ossos do cordeiro pascal e aquele que corta tendões não transgride a proibição de quebrar um osso.” (Pesachim 84b). Mas afinal, por que não era permitido quebrar os ossos do animal? 


Sobre essa questão da proibição de quebrar os ossos em Êxodo 12, o Targum Yonatan, explica que não se podia comer o que havia dentro do osso, razão pela qual foi dada essa proibição:


“... um osso dele não será quebrado por causa de comer o que está dentro dele.” 


Já na obra Musar, que foi um obra desenvolvida por judeus ortodoxos no século XIX, é explicado que a questão de quebrar os ossos foi dada para combater a idolatria dos egípcios, os quais viam o animal em questão como uma deidade (uma divindade). "Não quebrar os ossos" teria sido uma proibição aos judeus como um tipo de "concessão temporária", dando aos egípcios que estavam se unindo a Israel o direito de enterrar os restos mortais de sua divindade, fazendo com que eles dessem mais crédito ao Elohim dos judeus, que tem o poder de dar a vida e tirar a vida:


“O mandamento em 12,46: "Você não deve quebrar um osso dele", aplica-se apenas aos proprietários. Os cães podem quebrar os ossos dos restos mortais. Os egípcios viriam e recolheriam os ossos e os enterrariam para que os cães não pudessem alcançá-los, o que constituiria a destruição total do ídolo. De acordo com a Halachá, um judeu não pode destruir totalmente a divindade de um gentio; para ser totalmente eficaz, isso deve ser feito pelo próprio gentio. É por isso que os egípcios tiveram que enterrar esses ossos.  Fazer com que os egípcios realizassem este ato de aniquilar os restos mortais de sua deidade suprema foi o ato mais eficaz de aumentar a crença no Único e Único D'us dos judeus.” (Shenei Luchot HaBerit, Torah Shebikhtav, Bo, Torah Ohr 10). 


Tendo em mente todas essas afirmações, podemos entender facilmente que embora tendões tenham sido cortados no corpo de Yeshua durante a perfuração dos pregos, isso não configura transgressão ao mandamento de "não quebrar ossos". Além disso, conforme explicam os próprios rabinos, haviam pequenos ossos no corpo do animal que não tinham tanta importância se fossem quebrados ou não. O mais curioso é que os apóstolos disseram que nenhum dos ossos de Yeshua foi quebrado, e quem somos nós para discordar dessas testemunhas oculares. 



Continua…. 


Seja iluminado!!!





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