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Gênesis 6: A Vitória do Messias sobre os Anjos Caídos

Por Cleiton Gomes

No âmbito da espiritualidade e da fé, uma das questões mais intrigantes é a relação entre os seres celestiais e os humanos. A história dos anjos caídos, que desafiaram a ordem divina e se rebelaram contra o ETERNO, é uma narrativa que ecoa nos textos sagrados e nas tradições judaicas. Porém, essa história ganha uma nova profundidade quando analisamos a missão de Yeshua, o Messias, cuja vinda à terra e vitória sobre a morte não se limitam a um simples ato redentor para os humanos, mas também representam uma vitória espiritualmente carregada sobre esses seres celestiais caídos, cuja queda e corrupção marcaram uma distorção do plano original de Elohim.


O livro de Hebreus, em seu segundo capítulo, oferece uma reflexão profunda sobre a superioridade de Yeshua sobre os anjos:


"Pois não foi a anjos que sujeitou o mundo que há de vir, sobre o qual estamos falando. Mas em certo lugar testificou alguém, dizendo: Que é o homem, que dele te lembres? Ou o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, por um pouco, menor que os anjos, de glória e de honra o coroaste [e o constituíste sobre as obras das tuas mãos]. Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas; vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Yeshua, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Elohim, provasse a morte por todo homem. Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles. Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só. Por isso, é que ele não se envergonha de lhes chamar irmãos, dizendo: A meus irmãos declararei o teu nome, cantar-te-ei louvores no meio da congregação. E outra vez: Eu porei nele a minha confiança.


E ainda: Eis aqui estou eu e os filhos que Elohim me deu. Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, tirasse o poder daquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida. Pois ele, evidentemente, não socorre anjos, mas socorre a descendência de Abraão. Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Elohim e para fazer propiciação pelos pecados do povo. Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados." (Hebreus 2: 5-18)


A identidade desses "anjos caídos" remonta a antigos textos judaicos, como o Midrash, o Talmud e o Zohar, que revelam os anjos ministradores questionando a criação do homem e a sua possível superioridade sobre os seres celestiais. Em uma narrativa mística, o Zohar descreve a revolta de alguns desses anjos que, ao verem o homem prestes a ser criado à imagem de Elohim e com a missão de ter domínio sobre as coisas celestiais, reagiram com ceticismo, pois acreditavam que a natureza humana, sujeita à tentação, não poderia se comparar à pureza dos anjos. Em resposta a esse questionamento, o ETERNO lhes diz que se eles estivessem na terra iriam cometer pecados piores que os próprios seres humanos.


Repare que o escritor aos hebreus cita um Salmo: "Que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites?" (Salmos 8:4). Algumas literaturas judaicas afirmam que essa pergunta foi feita por anjos ministradores, veja o Midrash:


Você descobrirá que quando o Santo, bendito seja Ele, desejou criar Adão, Ele se aconselhou com os anjos ministradores e disse-lhes: 'Façamos o homem' (Gênesis 1:26). Eles falaram diante d'Ele: 'Senhor do universo, o que é o homem, para que te lembres dele? (Salmos 8:5). 'Ele respondeu a eles: 'O homem que desejo criar terá uma sabedoria superior à sua.' (Ecl. Rabá VII: 33).


No mesmo sentido, o Talmud diz:


“...Quando o Santo, bendito seja Ele, desejou criar o homem, Ele [primeiro] criou uma companhia de anjos ministradores e disse-lhes: É seu desejo que façamos um homem à nossa imagem? Eles responderam: Soberano do Universo, quais serão seus feitos? Tais e tais serão suas ações, Ele respondeu. Em seguida, eles exclamaram: Soberano do Universo, o que é o homem para que te lembres dele, e o filho do homem que pensas dele? (Salmos 8:5).....” (b.Sanhedrin 38b).


O Zohar (o livro do esplendor) diz:


“... Quando Elohim pensou em fazer o homem, Ele disse: 'Façamos o homem à nossa imagem, etc.' ou seja, Ele pretendia fazê-lo cabeça sobre os seres celestiais, que deveriam ser seus representantes, como José sobre os governadores do Egito (Gênesis 41:41). Os anjos então começaram a caluniá-lo e dizer: 'Qual é o homem para que te lembres dele? (Salmos 8:5), visto que ele certamente pecará diante de Ti.' Disse Elohim a eles: 'Se vocês estivessem na terra como ele, pecariam pior.' E assim foi. Pois 'quando os filhos de Elohim viram as filhas dos homens', eles se apaixonaram por elas, e Elohim os lançou do céu. Esses eram Uzza e Azael; deles, a 'multidão mista' deriva suas almas, e, portanto, eles também são chamados de nefilim, porque caíram em fornicação com belas mulheres.” (Zohar 1:25b).


Os anjos desceram à terra e se apaixonaram por mulheres humanas (Gn. 6:2; 1 Enoque 6:1-6), gerando uma linhagem de seres corrompidos que ensinaram aos homens as artes da guerra e da maldade (Gn. 6:5). Essa corrupção trouxe uma grande decadência moral e espiritual à terra, o que culminou no julgamento divino e na expulsão dos anjos caídos de sua posição celestial (veja: Zohar 1:23a, 25b; 2:207b-208a; Zohar 3:207b-208a).


Confira o que está escrito no livro de Enoque:


E Asa'el ensinou os homens a fazer espadas de ferro, facas, escudos e couraças de latão, e deu a conhecer a eles os metais que são escavados da terra e a arte de trabalhar o ouro e a respeito de prata, e braceletes e ornamentos, e a respeito de antimônio e sombra para os olhos, e todos os tipos de pedras caras e todas as tinturas coloridas. E surgiu muita impiedade e, sendo ímpios, foram desencaminhados e tornaram-se corruptos em todos os seus caminhos.” (1 Enoque 8:1-2).


A chegada de Yeshua, portanto, é entendida como a resposta divina a essa queda dos seres celestiais. Sendo plenamente humano, Yeshua foi capaz de viver sem ceder às tentações da carne, algo que os anjos caídos falharam em realizar. Por sua vitória sobre o pecado, ao vencer a morte através da ressurreição, Yeshua demonstrou que o homem, ao seguir os caminhos da Torá e da justiça, pode sim alcançar um nível espiritual superior, que desafia e vence as forças malignas. Ele não veio para redimir os anjos caídos, mas para ser o exemplo de que a humanidade, ainda que sujeita às fraquezas da carne, tem a capacidade de vencer o mal.


De fato, não há meios para redimir os pecados cometidos por eles, por isso está escrito:


"[...] Ora, se Elohim não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo" (2ª Pedro 2:1-4).


Repare o contexto. Os anjos que foram reservados para o dia do juízo foram citados dentro de uma lista de pecados abomináveis (ex: falsa profecia, mentiras, práticas ilícitas e libertinas). Os anjos que praticaram estas coisas não foram poupados do dia do juízo, quanto mais os seres humanos que se rebelam contra os mandamentos da Torá, eles também serão exterminados juntamente com estes anjos caídos. Judas (o "irmão" de Yeshua) também escreveu sobre isso, confira:


"E os anjos que não guardaram o seu primeiro estado, mas deixaram a sua própria habitação, ele reservou em prisões eternas sob as trevas para o julgamento do grande dia..." (Judas 1:6-8).


Então os anjos podem casar? Isso não compromete a afirmação de Yeshua? Os anjos são frequentemente descritos, nas tradições espirituais, como seres de luz ou pura energia. Essa luz pode ser entendida como uma forma de energia espiritual que transcende as limitações do mundo material. Em sua essência, os anjos seriam incorpóreos, sem uma forma física concreta. Eles existiriam como uma essência fluida, luminosa e em constante movimento, em perfeita harmonia com o plano divino. Por serem seres espirituais, não estariam sujeitos às limitações físicas que afligem os humanos, como as necessidades biológicas, entre outras.


No entanto, quando os anjos descem à Terra ou interagem diretamente com o mundo material, ocorre um processo fascinante. Sua energia espiritual, que normalmente permanece em estado fluido e imaterial, se desacelera e adquire uma forma mais densa e materializada para poder interagir de maneira eficaz com os seres humanos. Essa desaceleração da energia espiritual resulta em sua transformação de "energia" para "massa", permitindo que os anjos se tornem visíveis e tangíveis para os humanos. A partir desse processo, os anjos podem assumir o que poderia ser descrito como um "corpo temporário", uma forma física necessária para que cumpram suas missões e se relacionem com o mundo material.


Em Gênesis 32:24-30, o episódio de Jacó lutando com um anjo oferece um exemplo claro dessa manifestação física. O anjo, inicialmente um ser espiritual de pura luz e energia, se materializa temporariamente de forma física, tornando-se perceptível para Jacó. Outro exemplo pode ser encontrado em Gênesis 18:1-8, quando três visitantes, sendo dois deles anjos, aparecem a Abraão. Durante a visita, os anjos aceitam comida e até se sentam para comer com ele. Esse comportamento pode ser compreendido como uma maneira de os anjos, ao interagir com o mundo físico, assumirem características humanas para se relacionarem com Abraão de forma mais tangível e compreensível. A aceitação da comida e a interação com o ambiente material refletem o fato de que, ao se materializarem, os anjos podem realizar ações humanas comuns, como comer, descansar e falar, facilitando a comunicação e o cumprimento de sua missão.


Quando Yeshua afirma que os anjos "não se casam", essa declaração se baseia no fato de que, como seres espirituais, os anjos não possuem as necessidades físicas que os humanos têm, como o impulso de reprodução. Mas, note que ele se referiu “aos anjos que estão nos céus”. No caso dos anjos caídos, como descrito em Gênesis 6:2, sua interação direta com o mundo humano, que envolveu relações com mulheres humanas, representou uma transição entre o plano espiritual e o material. Essa transição, ao mesmo tempo em que permitiu uma experiência física, também trouxe comportamentos incomuns, como o desejo de se reproduzir, algo que não fazia parte de sua natureza original.


Portanto, os anjos são essencialmente seres de luz e energia espiritual. Quando descem à Terra ou se materializam, essa energia se desacelera, transformando-se temporariamente em uma forma física, a fim de interagir com os seres humanos de maneira mais tangível. Esse processo explica as interações físicas dos anjos com os humanos, bem como a razão pela qual Yeshua afirma que os anjos não se casam, uma vez que no plano espiritual essas questões não se aplicam a eles. Ao se materializarem, os anjos podem assumir uma forma temporária e funcional, mas sua natureza espiritual transcende as necessidades humanas, como a reprodução, que é exclusiva dos seres humanos.


Abre um parêntese: do relacionamento dos anjos com as mulheres humanas, nasceram pessoas híbridas, chamadas de nefilins. Os nefilins são frequentemente retratados como gigantes, seres poderosos, mas corruptos e violentos. Sua presença na Terra, de acordo com as escrituras, foi uma das razões para o dilúvio, como uma tentativa de purificar o mundo da corrupção que eles trouxeram. A sua existência é considerada uma distorção do plano divino, uma mistura entre o celestial e o terreno, que trouxe desordem.

Uma interpretação comum, derivada principalmente do Livro de Enoque e outras literaturas apócrifas, é que quando os nefilins morreram, seus espíritos não encontraram descanso. Em vez disso, esses espíritos se tornaram seres espirituais que vagam pela Terra como demônios ou "espíritos impuros". Essa ideia é apoiada pela tradição de que os demônios são, muitas vezes, descritos como "espíritos de gigantes", e que são essencialmente os restos espirituais dos filhos dos anjos caídos.

Nos Escritos Nazarenos (“Novo Testamento”), a presença de demônios é frequentemente associada à corrupção e ao mal, muitas vezes ligados à rebelião e à queda, o que poderia estar em sintonia com a ideia de que esses demônios são os espíritos de seres que ultrapassaram os limites impostos por Elohim (como os anjos caídos). Em Mateus 12:24 e Lucas 8:30-31, por exemplo, vemos a relação entre os demônios e seres espirituais caídos, que são um reflexo do mal e da rebelião.
Fecha o parêntese.

A vitória de Yeshua, portanto, é também a derrota dos anjos caídos, que, mesmo estando em uma posição superior antes de sua queda, não conseguiram resistir às tentações. Yeshua, ao encarnar e vencer como homem, exemplifica a verdadeira superioridade espiritual que foi destinada ao homem, conforme revelado no Zohar e em outros textos judaicos. Através de Sua vida, morte e ressurreição, o Messias restaurou a ordem divina, mostrando que, em última análise, o homem pode vencer as forças do mal e alcançar a glória eterna, uma vitória que estava além do alcance dos anjos caídos.


Assim, a missão de Yeshua não se limita à salvação da humanidade, mas também ao cumprimento do propósito divino: a reafirmação da supremacia do homem sobre as forças do mal e, por conseguinte, a vitória sobre os anjos caídos que, em sua arrogância, tentaram desvirtuar o plano de Elohim para a humanidade.


Seja iluminado!!!




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